Imagem capa - A culpa não é do Cabral, é sua! por Bernardo Zirkheuer
Empreendedorismo

A culpa não é do Cabral, é sua!

Na última semana, alguns amigos comentaram da dificuldade de se adaptar ao "novo mercado",
da dificuldade de vender o seu trabalho e captar novos clientes.
E, como uma das motivações pra isso, eles se esquivaram da culpa e a depositaram na concorrência.
Mas, será que isso é verdade?

Bom, vamos analisar um pouco dessa situação, antes de culpar alguém.
O que aconteceu de 3 a 4 anos pra cá, foi sim o aumento de fotógrafos profissionais,
mas uma entrada enorme de "fotógrafos profissionais".
E essas aspas ai, fazem uma diferença tremenda!

Fotógrafos profissionais são aqueles que, de algum forma conheceram a fotografia,
viram a paixão por trás da arte e foram em busca de conhecimento, de entendimento,
de equipamentos que o possibilitassem ousar e usar toda sua criatividade.
Esses são os fotógrafos profissionais que entraram no mercado.
E isso fez com que precisasse-mos nos adaptar e melhorar a si mesmos.
Desde a interação com o cliente, até a fotografia final.
Ou seja, não foi algo ruim, foi algo bom, aliás, muito bom!
Pelo menos pra quem entendeu que merecia mais do que já tinha, fazendo sair da zona de conforto.

Já os "Fotógrafos Profissionais", esses não interferiram em nada no mercado, pelo contrário também,
só nos ajudaram a não perder algo muito precioso, chamado: Tempo.

Pois os clientes dispostos a contrata-los, nem nos pedem orçamento mais.
E, particularmente, esse filtro natural, me permitiu ter tempo pra aprender mais,
pra atender melhor meus clientes e pra viver MELHOR.
E isso aconteceu pra todos!
Porém, alguns, gastam esse tempo de forma errada, acompanhando mais o trabalho dos outros, do que buscando corrigir os erros do seu.
Gastam mais tempo tentando tirar do mercado um outro fotógrafo, do que buscando um reposicionamento da própria imagem.
E gente, parem. Sério. Parem.
Tempo é algo extremamente valioso, não desperdice.

Esses "fotógrafos profissionais" não querem te fazer falir, eles querem sobreviver através da fotografia, só isso.
Digno? Óbvio. Esperto? Óbvio, que não.

E, se você é um fotógrafo profissional, desses sem aspas, você sabe muito bem que a fotografia possibilita muito mais do que só sobreviver.

Tudo que eu conquistei até hoje, todas as minhas mordomias, os lugares que frequento, as coisas que faço, elas são frutos da fotografia. 

Hoje tenho meu estúdio no Recreio dia Bandeirantes, em uma casa avaliada em 1.5M, conseguimos hoje locar um bom carro (sim, não compraria um carro no Brasil) e consigo viver tranquilamente com minhas contas em dia. 

Acha mesmo que quem quer sobreviver da fotografia, tá preocupado em alcançar algo assim? 

Bom, se o problema então não é comprar briga com o fotógrafo, talvez seja melhor comprar briga com o cliente, certo? Errado.

Vou exemplificar aqui:
Esses dias recebi um print de uma noiva solicitando orçamento de foto por até 1.500 reais.
Bom, só com meu staff, eu tenho quase isso de custo.
Ou seja, o orçamento disponível dela, não se encaixa em nada que eu tenha disponível no meu orçamento.
Porém, certamente, vai ter alguém que se encaixe.

Aí te pergunto: Qual a probabilidade dessa noiva me contratar, se eu for lá brigar com ela,
falando que meu orçamento é de 6.000 sem álbum e que por 1.500 eu não vou?! Zero.

A única coisa que eu vou conseguir com isso é uma possível inimizade e o desperdício de............ Tempo.

Esse cliente, com esse orçamento, não se encaixa no perfil de cliente que EU, BERNARDO, busco para a minha empresa.
Porque, pra esse tipo de cliente, a prioridade, não é ter as melhores fotos.
Pra esse tipo de cliente, a prioridade, não é a própria história.
Pra esse tipo de cliente, a prioridade, não é a família dele.
A prioridade desse cliente, é resolver de forma momentânea aquele incômodo. 

Meu cliente não me contrata pra resolver incômodo.
Meu cliente me contrata pra suprir a necessidade dele de ter boas fotos da sua própria história,
pra deixar em forma de fotografias a história da origem da sua família.
Meu cliente me contrata por entender que ele merece, no dia mais importante da vida dele,
ter fotografias incríveis, a altura da importância do acontecimento.
Eu não fotografo para o dia.
Eu não fotografo para o mês seguinte.
Eu não fotografo para 10 anos a frente.
Eu fotografo para o sempre.

E, 6.000R$, dividido por todo o sempre, da menos de 0,00000000000000000.......1 por dia.
Se formos pensar e colocar na ponta do lapis.
No final das contas, meu cliente é o que de fato economiza.
Pois não gastou nada, levando em consideração o quanto ficará feliz e por quanto tempo irá pagar por toda essa felicidade.

Por outro lado, aquele que buscou economizar logo de cara, geralmente se arrepende e vai pagar muito mais caro por isso.
Porque, se meu cliente vai ficar feliz pelo resto da vida, esse outro cliente vai viver frustrado pelo resto da vida. E isso é muito tempo.
Logo, discutir com esse cliente e culpa-lo, também é uma enorme perda de tempo.


Então, quando você diz que o mercado mudou e que você não está se dando bem dentro dele,
não é culpa da concorrência, não é culpa do cliente que quer pagar menos.
A culpa é sua por não ter entendido e não estar se posicionando para o cliente certo. 

Sabe quando eu comecei a entender mais o universo do meu cliente?
Quando eu olhei mais fundo na vida dele.
O que consome, o que frequenta, o que assiste. 

Mais isso, é um assunto pra outro post ou seria pra minha Master Ultra Power Class, que vai tirar todo seu dinheiro pra te dizer o óbvio, rs.... Vou pensar nisso.

O título da postagem é uma alusão a um programa do comedy central, um dos alívios mentais do autor, junto com poker, formula 1 e Suits.