Imagem capa - Quer ser feliz? O primeiro passo é esse: Não dê ouvidos a eles. por Bernardo Zirkheuer
Empreendedorismo

Quer ser feliz? O primeiro passo é esse: Não dê ouvidos a eles.

Esse é o primeiro de uma série de 3 posts que vão descrever um pouco da minha vida.
Espero que ajude você a entender mais sobre como eu enxergo um plano de carreira e como ouvir meu interior me fez infinitamente mais feliz.

O ano era 2010.
E eu me lembro como se fosse ontem.

Fazia pouco tempo que havia perdido meu pai adotivo, uma das poucas pessoas que se importou de verdade com o que eu queria fazer. Eu estava arrasado.
Meu paí foi um homem incrível que, mesmo depois de ter 3 filhos já criados, casados, aceitou cuidar de mim e me deu amor, ensinamentos e um sobrenome.
Perde-lo foi um choque e a primeira grande pancada da vida, pois no mesmo dia e horário que ele era velado, eu me formava num curso livre de teatro e subia ao palco, para me apresentava pra mais de 30 pais e mães.
A produção me deu total apoio e a possibilidade de cancelar a apresentação, mas um dia antes eu havia ouvido de um dos meus professores a seguinte frase:
"Quanto tempo você precisa? Um dia? Dois? Cinco?
Tire o tempo que precisar... Só que a vida não vai ficar te esperando, ela vai passar, com você aqui dentro ou la fora."

E naquele momento entendi que o luto precisava ser interno e que não poderia privar os outros alunos de se apresentar para seus pais, uma vez que muitos já haviam pegando folga no trabalho, desmarcado compromissos.
Nada daquilo traria meu pai de volta, nada. Então, eu precisava seguir.

Junto a esse sentimento, as pessoas mais próximas passaram a me dizer apenas o quanto seria difícil.
Depositavam todo o peso do mundo nos meus ombros.
Eu tinha 16 anos e precisava decidir o que fazer logo da vida.

"Faculdade é o único caminho pra ser bem sucedido".
"Só cursando Faculdade você vai ter um emprego legal, com carteira assinada."

Faculdade isso, faculdade aquilo...
E a ideia de passar de 4 à 6 anos estudando algo que não gostava, só pra poder sobreviver, batia em mim como estar em uma cela, preso a algo que não queria.
Era como estar vivendo no piloto automático, guiado pelo que outras pessoas queriam pra mim e não o que eu queria de verdade.
Eu conseguia me ver trabalhando durante 8 horas por dia, de segunda a sábado, pra tornar alguma empresa grande, enquanto seria só mais um funcionário e essa visão me torturava.
Eu não queria ser mais um deles, eu queria ser eu mesmo.
Afinal, era a minha vida, minha única vida, não fazia sentido passar boa parte do tempo dela, fazendo algo que eu não queria, que não me traria felicidade, só porque o mundo tinha um roteiro dedicado pra mim.

Foi quando me apaixonei pela fotografia e o mundo ao meu redor passou a me julgar por isso.
Na época, já com 17 anos, eu comecei a namorar uma menina mais velha que eu e isso também foi um desafio.
Enquanto eu, com 17 queria encontrar na arte o meu caminho, ela, com 23, tentava pela segunda vez cursar medicina.
Foi um período difícil internamente pra mim.
"Vai fazer o que da vida?"
"Qual faculdade você vai cursar?"
E a resposta sempre foi a mesma: - To estudando fotografia, paralelamente ao teatro
"Vocês ouviram? Ele quer ser fotógrafo, escuta isso só, ahaha"
Era assim com amigos meus, AMIGOS DO UNIVERSO DELA e alguns familiares também.

Enquanto o assunto era faculdade, concursos publicos e empregos de carteira assinada,
minha mente estava em como eu poderia provar pra eles que meu objetivo era tão concreto quanto o deles, em como convecê-los a me aceitar.
Era difícil convencer as pessoas que eu poderia ser feliz fazendo arte.
E isso só passou a ser possível quando parei de desperdiçar minhas energias tentando convencê-los e passei a me dedicar a, de fato, fazer o que eu amava.
Foi aí que tudo mudou.
Tem uma frase que eu guardei na vida, que diz o seguinte:
Se você quer ir muito a um lugar e não tem companhia, vá assim mesmo.
Lá terão outras pessoas que também queriam muito estar lá.

Assim é a vida.
As vezes as pessoas ao seu redor não estão pensando junto com você, com a mesma metodologia de vida.
Já reparou que casais com filhos acabam conhecendo rapidamente outros casais com filhos?
Ciclos sociais se formam, principalmente, em interesses comuns.
E a internet me possibilitou encontrar isso.

E quando comecei a dividir minhas ideias e conversar com as pessoas certas, todos os atalhos possíveis foram aparecendo e tornando tudo mais sólido.

Tem uma outra frase que diz que "o mundo da passagem pra quem sabe pra onde esta indo".

E, cá estou.
EU, não eles, eu.
Não tenho um emprego fixo, o que eu tenho são motivos diários para ser feliz.

O maluco;
O louco;
O que diziam que daria com a cara na parede;
O que não seria nada nem ninguém por não ter feito faculdade;
O que era visto como quem não quer nada:
O teimoso;

Você não escolhe a arte, a arte escolhe você.
Talvez você que esteja lendo isso agora tenha um sonho e eu queria te pedir uma coisa:
Deixe de sonhar, sonhos são muito abstratos, transforme isso em objetivo.
Trace metas, olhe dentro da sua realidade o que é e o que não é necessário, incluindo pessoas e veja o que pode mudar pra tornar seu objetivo mais real.
E, por mais que tentem, NUNCA permita que outras pessoas te impeçam de realizar seus objetivos.

A verdade é que boa parte das pessoas não conseguem se desprender de seus medos e roteiro e querem que você se prenda a eles também, pra não te verem vivendo o que elas queriam viver e não conseguiram.
São essas mesmas pessoas que gastam toda sua energia criticando quem chega ao sucesso, pois da muito menos trabalho ligar o computador e destilar inveja, do que ir a luta pra conquistar seu espaço, seja onde for.

Essas pessoas estão tão presas ao comodismo, que preferem culpar o "um em milhão" do que serem o dois, o três...

Coloca uma coisa na sua cabeça, tudo nessa vida é arriscado.
Você não sai da faculdade empregado, sai capacitado, mas precisa dar o seu melhor pra conseguir algo.
Já tive amigos que não fizeram algo que queriam, por medo de largar a estabilidade.
Veio a crise, a alta das demissões e hoje estão desempregados ou fazendo algo que não gostariam.
Riscos existem, assim será com tudo que escolher.
Mas, acredite, boa parte desse risco vai embora, quando você encontra o que ama verdadeiramente.
Pois as coisas se tornam mais leve.

Como falei antes, boa parte do seu tempo é gasto trabalhando e também indo e voltando dele.
Hoje, ir fotografar é gostoso pra mim, aquela ansiedade boa de viver algo novo.
FOTOGRAFAR é mágico, ver uma cena acontecendo e saber que sou eu o responsável por torná-la inesquecível é fantástico.
A sensação de saber que daqui a 100, 200, 300 anos, aquela imagem vai estar aqui, fazendo pessoas se emocionaram, é incrível.
E, no final, voltar pra casa sabendo que fiz um grande trabalho é reconfortante.

Eu realmente odeio acordar sabendo que o que vou fazer no dia não é exatamente o que eu queria estar fazendo.
Mas a vida é assim e vez ou outra temos compromissos que não gostaríamos de ter.
Porém, se isso se torna uma constante, se isso se repete por muitos dias seguidos, você precisa perceber que tem algo que precisa ser mudado, urgentemente.

Sabe aquele discurso de que a arte não me daria nada?
Bem, não só me deu, como me possibilitou retribui-la.
Hoje, fui a uma galeria de arte que amo e a qual também tenho algumas fotografias a venda.
Sai de lá com uma das obras do meu artista urbano favorito, Ruben Ireland.
Foram os 1.600R$ mais bem gastos (depois do ar condicionado, rs).
Pois hoje sei a sensação que uma pessoa tem, ao colocar uma foto feita por mim em seu apartamento.

Eu me empenho muito em criar fotografias verdadeiras para meus clientes e em gerar a eles uma experiencia completa de atendimento e assessoria, planejamento fotográfico, curadoria, pós produção de imagens e entrega.
Todo esse processo é acompanhado por mim e faz com que eu tenha participação em toda essa memória fotográfica.
Isso é arte, mas também são negócios e negócios prósperos, são aqueles que nos fazem felizes.
A fotografia me faz feliz.

No próximo post dessa série de 3, vou contar como consegui mais visibilidade dentro do meu mercado e o que deu certo e o que deu errado nos primeiros 5 anos, que são os mais difíceis.

Ah, a obra, é essa aqui e já esta também na nossa parede, só acompanhar no Instagram.